sonhos  escrito em sábado 26 julho 2008 01:23

Sonhos...

 

São sementes pequeninas

Que brotam no coração da gente

 

Amigos...

 

São gotículas de chuva

Raio de sol

Brilho da lua

Estrelas que brilham em pleno meio dia

Para iluminar os sonhos

Quando tudo parece tão distante

 

 

Sonhos e amigos...

 

Certeza de que Deus

Olha por aqueles a quem criou

Derramando Benção

Quando a vida segue sem rumo,

Triplicando os sonhos

No coração daquele que se faz amigo

 

Sonhos...

 

Pedaços de algodão que, embebidos

No éter da vida,

Tantas vezes se tornam tão pesados

 

Amigos...

 

Anjos que surgem da multidão

Segurando-nos pela mão

Abraçando-nos em momento de solidão

Correndo por vales e campinas nos dias de mansidão

 

Sonhos e amigos...

 

Tantas vezes como

Sol e lua,

Noite e dia,

Mesmo ausentes se completam,

Certeza de se estar

Nem tão perto

Nem tão distante,

No exata distância do momento...

permalink

A loucura e a tragédia cotidiana  escrito em segunda 14 julho 2008 11:05

Uma releitura dos contos "A benfazeja e Sinhá Secada"  de Guimarães Rosa

 

“A gente é portador” Guimarães Rosa

  

 

                       Gritos de socorro invadem a madrugada fria. Do outro lado da rua, bem em frente a minha casa, numa clínica de repouso, não sei porque motivos despertou a interna do seu sono induzido.

                       No meu silêncio invadido, ouço os passos dos enfermeiros a correr pelas rampas, enquanto ela grita, diz que desejam-na matar. Suplica por liberdade. Silêncio. Somente minha alma agitada dentro do ser caminha por entre indagações e reminiscências. “ Destino , terrível” os de alguns seres humanos com suas dores e incompletudes.

                         Finda a noite. No decorrer de todo o dia ouve-se um canto triste que ecoa pelas janelas gradeadas. Alguma sinhá secada que “ passou a acariciar pedaço de pedra, sem graça, áspera, que trouxera para casa ou Mula-Marmela no mais fechado extremo nos domínios do demasiado?”

                          Indagações. Convite à reflexão. Da minha sacada não lhe é possível ver a face, mas sinto em cada chamamento, madrugada à dentro, ou na disritmada melodia, a preencher tardes vazias, “ que o que há em volta de nós é a sombra mais fechada, as coisas gerais.”

                          Personagem fruto de um mundo caduco ou saído de um conto rosaneano? Personagem que “ procedera mal, a cada instante, a vida inteira ou que seria capaz de destruir, de cortar com um ato de “ Não” uma existência doidamente acelerada?

                        Teria Rosa conseguido ultrapassar os espelhos de uma sociedade modernista, realizando um esboço da alma humana, captando a exclusão e abandono dos seres que na vida procederam mal ou dos “ que nunca pensaram nisso e culparam-na?”

                         Mula – Marmela, mulher capaz de matar o marido e cegar-lhe o filho, ambos perversos que se excitavam com o sangue de suas vítimas. Sinhá Secada, a que o destino, duplamente, roubou-lhe o anjo que nem chegara a andar, falar. Arrebatado dos braços da mãe, acolhido nos braços da terra..

                      Personagens dos contos de Rosa que se ligam por um aspecto comum: o extrapolar o limite da normalidade. “ soubesses-lhe ao menos o nome.” Tendo como cenário um pequeno lugarejo, que tiveram suas ações e impressões discutidas por um espectador privilegiado, parente ou amigo? “ Se eu disser o que sei e pensam, vocês inquietos se desgostarão.”

                      O homem na sua aparência “ a mulher-maladraja, a malacafar, suja de si, misericordiada, tão em velha e feia, feito tonta no crime não arrependida e guia de cego e a nem sequer era formosa, ´que continha na mão lembranças de criança, a chupeta seca, que nunca mais se olhou no espelho.”

                       Há dias não ouço gritos pela noite, nem canto em derredor dos dias. Acolhera-lhe a morte ou prisioneira dos medicamentos? “ É de crer que breve estaremos livres do que não amamos, do que danadamente nos enoja, pasma.” Marmela, que fosse para trazer ou dar alívio à triste sina, matou, cegou, estrangulou, levou às costas um cão abandonado e meio já apodrecido. Secada, embora semelhante à boneca de brincar de algum menino enorme, revelou a Quibi sua dor, levando à terra seus fechados sentimentos.

                        Tornaram-se silenciosas às madrugadas. Vazias as tardes... Desejo de a ver partir? “ Vive-se perto demais, num lugarejo.”

 

 

 

permalink

despertar da primavera em tarde de inverno  escrito em segunda 14 julho 2008 10:42


 

 

Não sei dizer ao certo, por quanto tempo esperei por isso, se toda a minha vida ou uma vida inteira. Sei que finalmente , pude realizar, talvez,  o menor sonho do mundo, mas que para mim, tornou-se o dia mais festivo e também, inesquecível.

Não sei , na verdade, se não o havia realizado por condicionamento, ou por falta de força de vontade. Uma coisa eu sei, impedimentos é que nunca me faltaram... Primeiramente, foi devido a uma enfermidade sem graça. Coisa passageira, quando ainda tinha nada mais que 8 anos de idade. Depois, bem, depois foram  simples negativas , comentários , até virarem proibições, estas para as quais, deixo os meus protestos...

Mas deixemos isso para lá....o que importa é que a vida me permitiu realizar,este tão pequeno grande sonho.Na verdade, até desacreditei durante todo o dia, que isso pudesse se realizar. Uma coisa tão infantil, simples , ante  a dureza da vida, e que nunca fui incentivada a concretizar, ou conquistar?

Dizem que se é de criança que aprende a correr atras dos sonhos. Dizem, ainda, que se você pular alguma fase de sua vida, em algum momento você se dará por vencido , e desejará correr em busca  do que ficou para trás, realizando o que não lhe foi permitido(ou proibido?)

Um dia, escrevi uma crônica que me valeu por sinal, um premio destaque, afirmando " Sonhos não morrem jamais! " E hoje, pude  sentir  a alegria de se ter um velho sonho realizado. Velho, por já ser este,  meu companheiro de estrada.,  e Novo , por ser uma experiência inigualável...

Descubro, 35 anos depois , de  frustrado este meu sonho, ter sido melhor assim. Afinal, duvido que amigos de meu tempo de escola, ainda se lembrem deste dia, embora , acredito eu, que exista alguém que nunca o tenha esquecido também...

 Hoje, enquanto realizava meu sonho, ali, diante de minha filha de apenas 7 anos, e que já tem até email e poeisa publicada em site , diante de toda uma plateia de alunos , que se alegravam  por mim e comigo, sentia muito mais que emoção.E  também não se resumia em simples ato de fazer o que sempre se quis. Cada face,  gesto,  sorriso, movimento , não estava sendo apenas registrado em minha mente, mas vivido. E tão somente,  não era o conquistar, ter vencido a barreira dos desafios, inflingindo regras...era tudo e não era nada. Era  a vida me possibilitando, mostrando que a beleza  se faz presente na singeleza dos momentos.Que tudo  tem seu tempo , cabendo ao homem , desfrutar sabiamente daquilo que lhe é ofertado.

O dia de hoje, será inesquecível... Não o determinei. Não o busquei. Chegou assim, sorrateiro, silencioso e quando vi , já havia evaporado nos instantes dos momentos...Ao chegar em casa, segurei a mão de minha filha, pedi um beijo ao meu filho de 16 anos. Por diversas vezes me vi vagando no ar.. Em determinado momento adormeci,  e quando acordei,  minha filha me perguntou se eu estava sonhando...sorri , e disse-lhe,  ser toda a minha vida um sonho..E percebi, estar recebendo da vida, porções de felicidade... De repente,  me lembro do menino  que agora já é um homem , e que por sinal , nunca me perguntou o porquê do bolo recebido. Será que ele arrumou outro par nequele dia? Nunca fiquei sabendo , embora o destino, 35 anos depois , tenha  cruzado nossos caminhos,  profissionalmente.

Sempre digo,  quando estou entre amigos, que o mundo é redondo... Percorremos caminhos distanrtes, navegamos em diferentes mares, mas na verdade, sempre nos traz a areia,  as marés...Hoje, embora grande na estatura,  me senti como menina, embora, rondassem meu ser,  sentimentos do tamanho do universo...Pude olhar , finalmente nos olhos da vida. Crer e fazer acreditar,  " que tudo vale a pena quando a alma não é pequena..."

permalink

Indicação de leitura  escrito em segunda 14 julho 2008 10:20

Blog de veroart :Poesia, crônica, literatura comentada, Indicação de leitura

Feras de Lugar nenhum

Autor : Uzodinma Iweala

 

Parte dos olhos e faces que se revelam na escuridão. O simples fato de ser e o fato de existir, resistir aos contratempos da vida.Nas primeiras páginas, a impressão de tratar-se de mais um relato de guerra. O silêncio, quase sempre quebrado pelas reminiscências é como vento ameno. Surge o desejo, em certos momentos, de folhear a obra. Como se faz em alto mar, lançar mão de um binóculo e avistar o horizonte. A forma minuciosa como são descritos os fatos, as pessoas, os ambientes, em muitos momentos, torna-se imagem nítida, quase que tocável, talvez, por lembrar cenas tão comuns no dia-a-dia.Em alguns momentos de leitura, têm-se a impressão de que a vida é dura demais, porém, em momento algum se deseja chegar ao fim, talvez, por se tratar de temática presente na vida humana: os conflitos devido aos interesses ideológicos divergentes.Quando a fatalidade adquire tom sobre tom, assumindo o cinza do conformismo, eis que ventos amenos aliviam a ardência dos olhos cansados, surgindo no horizonte sinais de renovação.Quantos capítulos marcaram as trágicas páginas da vida do protagonista? Que momento as esperanças alçaram vôo em busca de terras conhecidas? Se não se é possível demarcar o capítulo, sequer se faz necessário, investigar as páginas, apenas, degustá-las, tamanha a forma na qual os sentimentos passam a ser desenhados, página após página, ao se aproximar o fim , seja das forças ou da obra.Se até o momento, era como retocar fotografias envelhecidas pelo tempo, surge oportunidade em que, embora longa e desconhecida a estrada, ser hora de partir em busca do que restou dos sonhos de menino.Strika, Comandante, Tenente, Agu...Soldado SoldadoMatar Matar Matar.É assim que você vive.É assim que você ( deveria) morre.Uma leitura que se faz em qualquer momento da vida, independente, de ser noite ou dia, estação fria ou de colheita. Leitura capaz de despertar o sonolento, fazer não temer as lutas, o que se acha covarde.Uma iroko, que nasce das páginas de Uzodinma, que nos leva a reconher, cada vez mais, a força da narrativa africana.

 

permalink

Saudade  escrito em sexta 11 julho 2008 07:44

Deve ser saudade o sentimento que navega neste silecioso mar interior..Lágrimas insistem em acariciar minha face, enquanto procuro administrar os pensamentos.

Coisa da idade, de uma mulher com alma de menina. Alguém que, bem cedo, aprendeu a ser gente grande. Trocou as bonecas e panelinhas de brinquedo pela tripla jornada feminina.

Falta-me palavras nessas horas, capazes de colorir todo o universo interior. Fotografar o que as palavras não conseguem registrar.. São tantos sentimentos reunidos, lembranças saltitantes, esperança que surge em cada letra, de cor e forma, reconhecíveis.

Deve ser saudade o sentimento que traz, à mente, o sorriso de cada irmão; dos momentos bons ao lado da família, ainda menina, sentados todos, numa sala pequenina, ao redor de uma mesa, tendo ao centro uma velha lamparina..

O que se ouvia além do grilo, sapos, barulho do vento nas campinas, quando do temporal a luz fugia e, todos aproveitavam para conhecer um pouco das histórias de familia? Narrativas...

Sempre que amigos novos chamam à porta, lembro-me dos que um dia partiram horizonte à dentro. Cá fora, fico a imaginar o tempo , o momento, as alegrias e situações vividas. Imaginar a possibilidade do reencontro.

A Saudade é como beija-flor..

permalink

Abrir a barra
Fechar a barra

Precisa estar conectado para enviar uma mensagem para veroart

Precisa estar conectado para adicionar veroart para os seus amigos

 
Criar um blog